Amós 4, 1-3

As damas de Samaria e os perigos da vaidade, do pecado e da redenção

O programa Boa Semente e a palavra de Amós

Boa Semente é um programa em que temos um momento de conversa, e eu fico muito alegre de estar junto de vocês nesses dias em que podemos meditar um pouquinho sobre o que é a boa semente.

Quero convidar você a também ser um participante do Boa Semente. Não interessa o que eu falei ou deixei de falar, o que você sabe ou o que você leu: leve a Boa-Nova ao seu irmão! Leve sempre uma coisa boa para quem você desejar. “Ah, hoje tenho vontade de levar essa palavra para fulano de tal…” Senta com ele, conversa, vai, volta e deixa ali a palavra para ele meditar e pensar. É isso que nós temos que fazer, tudo certo?

Às vezes, uma mensagem que você manda para a pessoa faz ela ganhar o dia — entende? É tudo de que ela precisa.

Vamos falar hoje sobre uma coisa interessante, que envolve assuntos atuais, mas está no livro de Amós, capítulo 4, versículos de 1 a 3. O título é ‘As Damas de Samaria’, e diz assim: ‘Escutai, damas’. Escutai essa palavra.

Vacas de Basã do planalto de Samaria. Vós que explorais os fracos e enganais os indigentes, que só sabeis dizer aos maridos: “Traze, vamos beber”. O Senhor Deus jurou por sua própria Santidade, um dia há de vir para vós, quando sereis tocado com ferrões e que restar de vós com arpões de pescador, uma atrás a outra, terei que passar pela brecha da muralha e sereis atirado pelo lado de Hermon, o oráculo do Senhor.

O pecado de hoje, o luxo e a aparência

Damas de Samaria, quero dizer para vocês que hoje o pecado está tão espalhado na nossa vida e na nossa sociedade. Nós estamos ficando cada vez mais distantes de Deus, a ponto de ficarmos igualzinhos a essas damas de Samaria, certo? O pecado de hoje, o luxo… Como é difícil a gente ver essa disputa de luxo! Eu sei que, quanto mais bonitos ficarmos, melhor é — não é verdade?

Você se arruma… Eu sei que as mulheres gostam muito de se enfeitar, de estar na moda e de acompanhar essas coisas. Eu acho que tudo isso é realidade e até aí tudo bem. Mas há pessoas que se deformam inteiramente para poderem se sentir superiores às outras.

Quando eu tinha 40 anos, era de um jeito. Quando comecei na Canção Nova, com 25 para 26 anos de idade, era uma coisa. Hoje, estou com 77 e sou completamente diferente. Quando chegar aos 80 — faltam 3 anos —, serei outro completamente diferente. E a cada dia que passa, eu mudo. Por quê? A minha matéria vai se desgastando, então não adianta.

Mas quero voltar à palavra. Hoje, o luxo nos leva à hipocrisia. Quantas pessoas sofrem com a hipocrisia! Aquela pessoa perto da qual você se sente mal por ser tão hipócrita… E tem muita gente assim, sabe? Aquele tipo de pessoa que quer parecer demais. Faz mal para você? Para mim faz. Hoje, infelizmente… Eu, graças a Deus, não tenho o vício do luxo, que hoje se tornou uma droga muito violenta.

A ilusão de querer parecer demais e a hipocrisia

Existe um negócio que se chama celular, que é uma ferramenta de trabalho, mas, se você não dominar essa ferramenta, ela se torna uma droga — como a cocaína, a morfina e sei lá mais o quê, todas as “ínas” da vida. Infelizmente, hoje ele traz esse vício.

E como é difícil ver a pessoa se apresentar nesse celular e mandar a sua fotografia… Eu não sei como se chama aquele negócio — graças a Deus, não sei —, mas ela manda a sua imagem para o mundo inteiro. Toda pintada, toda rebocada… E não é só mulher, não. Não estou falando apenas para as mulheres, estou falando para todos nós, inclusive para os homens.

Hoje em dia, virou uma necessidade ter tantos músculos na vida, ter o corpo sarado. Eu mesmo já não tenho mais de onde tirar. Hoje, os meus médicos brigam para que eu tenha músculos, massa magra, mas eu não consigo. Tomo todo tipo de remédio e vitamina, mas não dá mais: é a idade, certo?

Acho bonito a pessoa que é forte, que faz ginástica e tem os músculos certinhos, bonitinhos. Acho bonito isso, tanto em mulher quanto em homem, não sou diferente. O problema é a exibição: aí o negócio muda. Por isso é muito triste ver acontecer essa obstinação.

 

 

A exploração dos fracos e a prática da agiotagem

“Vós que explorais os fracos e esmagais os indigentes”, Jesus sofreu isso, Ele sofreu na carne. “Vós que explorais os fracos”. Eu tive um pecado muito grave na vida, e, um dia desses, eu recebi uma carta, de uma pessoa tentando me agredir, dizendo que eu era agiota; ela quis me ofender, e esse foi o pecado da carne que eu mais sofri. E por que sofri esse pecado? Porque, quando você vai se se relacionando com Deus e se tornando íntimo d’Ele, os seus pecados vão se desabrochando, vai virando uma flor aberta para você, onde você cheira ou esmaga. E quando eu tinha esse pecado, o que fazia? Eu chegava, eu trabalhava numa estatal, eu tinha o meu dinheiro. Ganhei muito dinheiro com isso!

O meu pecado mais grave: Testemunho de Conversão

Eu fazia assim: recebia o meu pagamento e tinha o meu dinheiro. Naquele tempo, quando chegava uma pessoa que não tinha recursos e que passava necessidade, faltava-lhe o pão de cada dia, ela vinha até mim pedir emprestado, e eu emprestava o dinheiro.

Na época, os juros eram altíssimos! A gente ganhava com um negócio chamado overnight — acho que era overnight, nem me lembro mais, graças a Deus. Eram juros diários, e eles subiam todo dia. Então, a pessoa chegava até mim e pedia. Eu pegava o meu cheque e perguntava: “Quanto você quer?”. Entregava o meu cheque e pegava o dela. “Vou emprestar para você por 15, 20 ou 30 dias” — não interessava o prazo, o que interessava para mim era o juro do negócio. Eu pegava o cheque da pessoa e, como era amigo do gerente do banco onde ela recebia — ela trabalhava comigo e recebia no mesmo caixa que eu —, eu chegava antes de a pessoa depositar o dinheiro na conta dela e já entregava o cheque para o gerente.

Ah, para você ver que crime eu cometia…

O crime que cometi e a dor do arrependimento sincero

Quando ele ia receber o pagamento dele, já estava descontado o meu cheque. Então, ele recebia o pagamento de 30 dias trabalhado e eu tirava o dinheiro antes dele receber. Logicamente, faltava esse dinheiro. faltava pra vida dele, para os filhos dele, certo? Aí, qual era o recurso que ele tinha? Voltar para emprestar novamente.

Quando me converti de verdade, eu chorei muito por esse pecado! E, hoje, eu vejo esse excesso, e que eu gastava em luxo e coisa tal, tudo isso é igualzinho aqueles muros, como diz aqui: “Um dia há de vir para vós, quando sereis tocado com ferrões e  que restar de vós com arpões e pecadores, um atrás a outro”.

A brecha da muralha: Um alerta final

“Tereis que passar pela brecha da muralha”. Antigamente, onde havia religiosos, havia uma passagem para o refeitório. Era uma  muralha estreita, e eu conheci isso, uma muralha para você passar, para você entrar na porta do refeitório. Então, o que acontecia? Se você engordasse muito, você não conseguiria passar na muralha. Então, você não podia comer, tem que fazer regime para passar e poder comer. Era assim de primeiro, certo? E assim somos nós.

Se nós cairmos no pecado, na luxúria, na beleza de ser um mais que o outro, de ter mais do que o outro, de aparecer mais do que um outro… Pelo amor de Deus! Nós somos todos iguais. Então, eu quero dizer para você: não seja uma dama da Samaria, não seja uma vaca de Basã.

Deus abençoe seu dia! E não se esqueça: Deus o ama muito e o abençoa.

 

Do seu amigo,

Wellington Silva Jardim – Eto
Cofundador da Comunidade Canção Nova